Cercosporiose – doença fúngica foliar

21/07/2026
Autora: Livia Sancinetti Carribeiro - Engenheira Agrônoma, Mestre em Agronomia (Irrigação e Drenagem), Doutora em Agronomia (Irrigação e Drenagem) pela UNESP, Botucatu-SP e Coordenadora Executiva da Associação Nacional Grama Legal.

A cercosporiose é uma doença foliar causada pelos fungos Cercospora seminalis ou Cercospora fusimaculans. É comum em gramas São Carlos e Santo Agostinho, mas também pode ocorrer em gramas da espécie Bermuda.

Causas da doença

A doença ocorre em condições de clima quente e úmido, períodos prolongados de umidade na superfície foliar e baixos teores de nitrogênio no solo.

Sintomas

Os sintomas manifestam-se na forma de lesões foliares que se desenvolvem ao longo da superfície da folha, sendo mais comuns nas margens foliares. À medida que a doença evolui e as lesões envelhecem, tornam-se alongadas. O centro das lesões mais antigas adquire coloração que varia de bege a cinza, enquanto as margens tornam-se marrom-escuras e/ou arroxeadas.

Folhas severamente afetadas tornam-se cloróticas e podem morrer, resultando em um gramado ralo e com redução da cobertura vegetal.

Cercosporiose – doença fúngica foliar

Ciclo da doença

Em condições desfavoráveis ao desenvolvimento da doença, o fungo sobrevive em restos vegetais (thatch). Quando as condições se tornam favoráveis, o patógeno produz esporos que são dispersos pelo gramado e infectam as folhas. Esse processo ocorre, principalmente, quando as temperaturas se elevam e as precipitações tornam-se mais frequentes.

Controle

Deve-se evitar a irrigação em períodos do dia que favoreçam a permanência de umidade sobre as folhas por tempo prolongado. Recomenda-se realizar a irrigação no período da manhã, quando o orvalho ainda está presente, evitando irrigações no final da tarde ou durante a noite. No caso de sistemas de irrigação automatizados, as irrigações após as 22 horas podem ser feitas. O importante é que não ocorram mais de 10 horas de folhas molhadas.

Em condições de clima quente, a irrigação deve ser realizada com menor frequência e maior profundidade, promovendo o adequado desenvolvimento do sistema radicular.

Em gramados submetidos a sombreamento excessivo ou com circulação de ar restrita, recomenda-se a poda seletiva de árvores e arbustos, bem como a remoção de barreiras que dificultem o fluxo de ar.

Recomenda-se também diminuir a quantidade de thatch (colchão), a fim de reduzir a severidade da doença.

Caso o gramado apresente danos significativos, a adubação poderá ser ligeiramente intensificada para favorecer a recuperação da cobertura vegetal.

No caso de níveis baixos de nitrogênio, recomenda-se elevar esse nível para diminuir a severidade da doença. Devem ser mantidos níveis médios de fósforo e potássio.

Quando necessário, a utilização de fungicidas registrados para a cultura da grama pode proporcionar controle eficaz da doença.