Gramados da Copa do Mundo 2026 (EUA, Canadá e México)

25/02/2026
Autor: Patrick Luan Ferreira dos Santos - Engenheiro Agrônomo, Mestre em Agronomia (Sistemas de produção) e Doutor em Agronomia (Horticultura), UNESP, Botucatu-SP.

Introdução

Em 2026 a Copa do Mundo FIFA terá grandes novidades: será a primeira vez que três países sediarão o mundial, será a primeira vez que teremos 48 equipes competindo pela taça, e foi a primeira vez que a FIFA contratou universidades norte-americanas (Michigan State University e University of Tennessee) para conduzir pesquisas de longo prazo e testes em vários climas diferentes, já que o torneio acontece em três países com condições muito variadas (do frio do Canadá ao calor do México).

Sendo assim, a FIFA exigiu que todos os 16 estádios fossem cobertos com grama natural (ou híbrida, com fibras sintéticas incorporadas), em vez de grama totalmente artificial (algo comum em estádios de futebol americano ou com teto retrátil). Isso garante um campo mais uniforme, seguro e de alto desempenho para os jogadores.

A Universidade do Tennessee (UT) e a Michigan State University (MSU) conduziram as pesquisas a partir de 2022 para buscar gramas adequadas aos diferentes climas das sedes, além de estudos de desenvolvimento do gramado em condições de pouca luz, como em estádios cobertos.

Quais gramas serão usadas na Copa do Mundo 2026?

Dentre os gramados utilizados para a Copa do Mundo FIFA 2026, destacam-se:

  • Climas quentes (sul dos EUA, México): serão usadas três variedades de gramas Bermudas (Cynodon spp.): Tahoma 31, Tifway 419 e North Bridge, conhecidas por resistir ao calor intenso, tráfego e rápida recuperação.
  • Climas frios (Canadá, norte dos EUA): optou-se por gramado de estação fria, a Kentucky bluegrass (Poa pratensis), adaptada a temperaturas menores, podendo ter overseeding de ryegrass perene.

No caso das gramas Bermudas, ambas passaram a ser cultivadas no Brasil recentemente.

Tahoma 31

Origem e desenvolvimento: criada pela Oklahoma State University. É um híbrido interespecífico (Cynodon dactylon × C. transvaalensis), propagado vegetativamente.

Principais características:

  • Boa resistência ao frio.
  • Crescimento mais rápido na primavera, retomada no verde mais cedo.
  • Usa cerca de 18% menos água que outras Bermudas.
  • Se desenvolve bem em locais com semi-sombra.
  • Alta resistência ao desgaste e rápida recuperação, ideal para campos com tráfego intenso.

North Bridge

Origem e desenvolvimento: também desenvolvida pela Oklahoma State University, sendo também um híbrido e propagada vegetativamente.

Principais características:

  • Textura fina e densidade uniforme.
  • Resistência ao frio aprimorada, com retomada do verde rápido na primavera.
  • Gramado muito resistente e excelente recuperação de tráfego.
  • Tolerância à seca, doenças e desgaste, com vigor para ambientes exigentes.

Padrão dos campos e conversão de gramados

Outro ponto é o padrão dos jogos, que deverá ser adaptado. Os campos terão dimensões de 105 por 68 metros. Além disso, 8 estádios que hoje usam grama sintética vão precisar converter a superfície para grama natural.

Gramados utilizados na Copa do Mundo FIFA 2026

🏟️ Estádios das Cidades-sede

🌱 Tipos de Grama

❄️ Gramas de Clima Frio

Kentucky bluegrass / Perennial ryegrass blend / fibra

  • BC Place Vancouver (CA)
  • Mexico City Stadium (MX)
  • Boston Stadium (USA)
  • Houston Stadium (USA)
  • Los Angeles Stadium (USA)
  • Philadelphia Stadium (USA)
  • Seattle Stadium (USA)

Kentucky bluegrass / Fibra

  • Toronto Stadium (CA)
  • Atlanta Stadium (USA)
  • Dallas Stadium (USA)

☀️ Gramas de Clima Quente

Tahoma 31 Bermudagrass / Fibra

  • Estadio Monterey (MX)
  • New Jersey Stadium (USA)
  • San Francisco Bay Area Stadium (USA)

North bridge Bermudagrass / Fibra

  • Estadio Guadalajara (MX)
  • Kansas City Stadium (USA)

Tifway 419 Bermudagrass / Fibra

  • Miami Stadium (USA)

Sod on plastic (grama cultivada sobre plástico)

Outro ponto importante e inovador é que a produção de alguns dos gramados da Copa do Mundo FIFA 2026 envolve o sistema “sod on plastic” (grama cultivada sobre plástico), principalmente para os estádios que atualmente têm grama sintética ou teto retrátil, onde não é possível manter um gramado tradicional a longo prazo.

Por que o uso de grama em plástico?

  • Transporte e instalação rápida: o tapete pode ser cultivado em fazendas de grama, colhido praticamente sem solo e instalado no estádio em pouco tempo.
  • Uniformidade e qualidade: gera placas densas e limpas, muito usadas em estádios da NFL e grandes eventos esportivos.
  • Reforço híbrido: em muitos casos, além do plástico, haverá também a costura de fibras sintéticas (sistema híbrido), para dar maior estabilidade.

Exemplos concretos para 2026

  • Estádios de NFL com sintético (MetLife Stadium, AT&T Stadium, Mercedes Benz Stadium, SoFi Stadium, etc.) vão remover o artificial e instalar campos temporários de grama natural cultivada sobre plástico, já testados em torneios anteriores (como a Copa América 2024 e o Mundial de Clubes 2025).
  • Estádios ao ar livre (Philadelphia, Kansas City, Miami, etc.) provavelmente usarão Bermudas produzidas em viveiros especializados, algumas em areia e outras em plástico, conforme a logística local.

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